Por:
| Atualizado em

Desmistificando o mercado de ações

Tempo de leitura: 5 minutos

Os telejornais diariamente divulgam o fechamento do IBOVESPA (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo, agora sob o nome de B3). E, pelas estatísticas do mercado financeiro brasileiro, é possível afirmar que a grande maioria não faz a mínima ideia do que se trata. No entanto, o mercado de ações está mais presente no dia a dia em suas vidas do que imaginam. 

Um bom exemplo para explicar o funcionamento do mercado acionário (em qualquer parte do mundo) é pensar nele como uma feira livre. O vendedor de frutas e verduras antes de montar a sua barraca e comercializar suas mercadorias, precisa de autorização das autoridades responsáveis. E, naturalmente, antes de se lançar ao mundo extremamente competitivo que espera, ele imagina que terá demanda suficiente para viabilizar o início e a continuidade das suas operações.

Passada essa fase inicial, o dono da autorização de venda de mercadorias (no caso frutas e verduras) na feira, pode fazê-lo por conta própria e/ou transferir a operação de venda para outros. E como bem sabemos, os preços das mercadorias em uma feira livre, apesar de sempre abrirem com uma referência, são ditados pela negociação entre o comprador e o feirante. E, normalmente, o poder de barganha do comprador é maior se o número de compradores é menor naquela barraca. E vice-versa para o caso do vendedor. 

O mercado de ações funciona de forma semelhante. Ao decidir se lançar para no mercado acionário, a empresa precisa submeter o pedido ao órgão competente (Comissão de Valores Mobiliários – CVM) e, ao mesmo tempo, contratar empresas especializadas (Bancos de Investimento) para lançar a “primeira leva” das ações (partes do capital societário da empresa) no mercado aberto. Este processo é conhecido como Oferta Pública Inicial (ou Initial Public Offer – IPO). Na prática, o IPO implica na venda de parte da empresa dividida em diversas partes menores (as ações). Que têm características relacionadas aos diretos e deveres dos seus futuros compradores.

Os compradores ou potenciais compradores, podem exercer este papel no IPO e/ou quando as ações passam a ser negociadas no mercado secundário (processo de compra e venda a partir do IPO. Ou seja, as ações passam a ser compradas dos agentes que participaram do IPO ou que compraram daqueles que participaram, e assim por diante. 

Características das ações

Em termos de características, as ações podem ser Ordinárias ou Preferenciais. As Ordinárias dão ao detentor o direito a voto nas assembleias de acionistas da empresa. Portanto, na prática, algum agente detém 50% + uma ação ordinária ele é o efetivo dono da empresa. Os detentores de ações preferenciais têm “preferência” no recebimento de dividendos (distribuição de parte do lucro da empresa) – mesmo em caso de falência – mas não têm direito a voto. Portanto, mesmo que um acionista preferencial detiver 50% + 1 das ações preferenciais ele não será o dono da empresa. 

A despeito destas características, entrar no mercado de ações hoje em dia é relativamente simples. O primeiro passo é abrir uma conta em uma Corretora de Valores, pois somente é possível comprar ou vender ações na bolsa através delas. Atualmente no mercado há várias opções de corretoras (algumas delas sem qualquer cobrança de tarifa) à escolha dos clientes. E no mercado é possível encontrar ações com valores expressivamente baixos (abaixo de R$ 1,00). As compras e vendas de ações geralmente são feitas em lotes de 100 ações. O que implica dizer que com cerca de R$ 100,00 já é possível, na prática, comprar parte (ainda que muito pequena) de uma empresa. 

Os preços das ações a partir do IPO são inteiramente determinados pelo processo de compra e venda, assim como exemplo da feira. Se o vendedor percebe que há muitos compradores interessados na sua ação, ele consegue vendê-las por um preço mais elevado, caso contrário, para fazê-lo ele terá que apresentar valores cada vez mais baixos até encontrar algum comprador interessado. Portanto, no limite, a ação pode ser precificada a zero (ou “virar pó”, no jargão utilizado no mercado). Há também a possibilidade de alugar uma ação ao invés de comprá-la. Mas isso é tema para um outro post.